10 de dezembro de 2011

Eu sublimo, tu sublimas

Por dez anos a sublimei em natureza.
Estava sempre ao meu redor como vida.
Adormeci em sua terra, água, ar e fogo.
Até que choveu em minha varanda.
Molhou-me.
Lavou-me.
Ressuscitou-me.
Era o primeiro raio de sol da manhã e o último da tarde.
Era o fulgor da lua cheia e a maré de água viva.
Era o gracioso do orvalho e o rio por entre pedras.
Era o galho seco do outono e a flor da primavera.
Eis que então sublimou-me em suas gotas para vivê-la.
Não mais ao redor, mas sim envolto em seu lugar.
Do seu sol, sou halo.
Da sua lua, sou fase.
Do seu rio, sou foz.
Do seu outono, sou queda.
Da sua primavera, sou rebento.
Da sua saudade, sou falta.
Da sua vida, sou amor.
Envolve-me.
Sublima-me.
Viva-me!

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