13 de dezembro de 2011

Epílogo

Nasce sem saber da vida e morre sem saber da morte. Nasce sem saber da emoção e morre sem saber da razão. Nasce sem saber de onde veio e morre sem saber o porquê vai. Nasce sem saber de céu e morre sem saber de inferno. Nasce sem saber de iluminação e morre sem saber de espírito. Nasce sem saber de consciência e morre sem saber de alma. Nasce sem saber do dinheiro e morre sem saber da igualdade. Nasce sem saber de nada e morre sem saber de tudo. Nasce sem saber do ontem e morre sem saber do amanhã. Nasce sem saber quem é e morre sem saber o que é.
Nasce sem saber que a vida é um eterno nascer e morrer de pequenas coisas. Elas morrem fora e nascem dentro.
Morre sem saber que as grandes coisas nascem uma única vez, morrem uma única vez.
Para coisas grandes não há ressureição, reencarnação ou criogenia. Elas morrem dentro, não fora.
Qual o tamanho da sua ficha criminal? Qual o tamanho do seu cemitério? Qual o tamanho da sua culpa?

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