20 de julho de 2011

Ou ponto. Ou interrogação?

Minha linguagem não é feita de pontuação! Esconjuro ponto final, dois pontos, reticências, vírgula, ponto e vírgula e ponto de exclamação. Exceto um, o de interrogação. Este encanta. 
Os demais pontos separam palavras, discursos, ódios, amores, certezas e incertezas. Falo sobre vivência, não literatura pontuada como esta. 
A interrogação atrai as palavras. Esses são seres animados do mundo que cito. Lá adiam começos, finais, términos, despedidas e orgasmos. Não há pontos de convergência, de sutura, de fusão, de ônibus, de táxi, de coleta, de armazenamento, de prostituta, de carne. Apenas de interrogação. Nunca se chega ao ponto. Desmembraram a palavra ponto da interrogação. Vivem indagando sem ponto e pausa, sem explicação e espanto. Interrogação como patrimônio da humanidade. Cultuando a dúvida como opção de liberdade, mesmo que ela seja uma corda e se enforquem nela.
A pontuação que vá para puta que a pariuque deve ter sido alguma linguista pentelhacomo aos montes que encontro por aí adorando um ponto final, dois pontos ou um ponto de exclamação.
Ponto final?

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